sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A VER NAVIOS

Campanha Eleitoral - Amigos e amigas, hoje 26set14 passei por algumas avenidas de São José do Rio Preto - SP - Brasil - e notei uma enorme fila indiana de cavaletes, esses sustentado fotos de candidatos, às vagas de deputados estaduais e federais. Imaginei: R$5.000.000,00 para cada um deles levarem adiante a campanha eleitoral. Esse recurso financeiro provém dos próprios eleitores que escolherão alguns deles. Ah, a escolha decorrerá das propostas, e quanto a elas observo: "são as mesmas das últimas dez campanhas". Detalhe: "a maioria não tem palavra ou não consegue cumprir os compromissos assumidos". Por que não consegue? Simples, os eleitos para o Poder Executivo negociam com os eleitos do Poder Legislativo e formam uma Base de Governo. A Base tem força maior, assim, no decorrer dos próximos quatro anos, o povo que bancou a campanha eleitoral ficará a mercê das decisões da Base. A minoria que comporá a oposição padecerá diuturnamente, pois dificilmente conseguirá aprovar lei que beneficie o povo. No meu sentir, as coligações empreendem nas negociações, no final, a maioria dos eleitos que compõe os poderes Legislativo e Executivo navegará rumo as praias distantes. Mas, e o povo eleitor? O povo, ora o povo, ao povo restará recostar nos barrancos dos mares, de onde ficarão a ver os navios, esses se distanciarão lotados de pessoas felizes. Sim felizes por desfrutarem das benesses, sem se darem conta do quanto a maioria do povo padece. E assim a vida segue até o dia em que a natureza resolva tomar providências, óbvio as mais naturais possíveis, ou mais previsíveis, se levar em conta a lei do Retorno. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Mudança depende da Coragem

Na minha adolescência, eu trabalhava de boia fria ou diarista rural. Eu tinha dificuldades até para arrumar namoradas, e quanto a esse fato, alguém poderia até dizer: ah, isso porque você deveria ser muito feio. Não, eu não era feio, eu era bonito, mas o problema é que eu tinha uma única muda de roupa para trabalhar e outra única para passear. Obs.: nos bolsos das calças nunca havia um único centavo. O passear consistia ir a um baile num sábado à noite. Ora, mas como alguém arruma namorada se todos os sábados se apresenta com a mesma roupa. Ressalte-se, mesmo em meio a tanta simplicidade, uma roupa nova de vez em quando faz aflorar a beleza camuflada pelo constrangimento de tanta pobreza.
Eu e minha família comíamos carne apenas aos domingos, mas nalguns, a carne também não era possível. Num desses domingo, meu pai pediu-me para que fosse ao açougue buscar uma encomenda. Eu sabia do que se tratava e lá chegando, solicitei ao açougueiro para que me entregasse a encomenda. Ele se abaixou pegando-a sob o balcão e em seguida colocou-a sobre o mesmo. Naquele momento, o jornal que embrulhava a encomenda se rasgou, deixando aparecer a ponta de um osso. Um fazendeiro (pecuarista) testemunhou o ocorrido e perguntou: na sua casa tem muitos cachorros? De pronto, meu coração ficou amargurado e pensei até em ser descortês, mas, refleti e respondi: lá em casa somos em cinco.
Na minha casa, meu pai garimpou algumas farpas de carne, ainda incrustadas nos ossos, e numa panela grande adicionou mandioca fazendo um belo de um ensopado. Não tínhamos o costume de nos sentarmos à mesa para as refeições, diga-se de passagem, até compreensível se levar em conta a ausência de abundância, no entanto, naquele dia nos sentamos. Eu aproveitei para contar o ocorrido no açougue e quando falei que éramos em cinco cachorros começamos um, au! au! au! E rimos muito por isso.
Pois bem, já se passaram mais de quarenta anos e nós ainda somos pobres, porém, milionários se comparados à época de minha adolescência. A condição de vida que temos hoje se deve ao sacrifício nosso, pois se dependesse dos governos, nós continuaríamos a pegar aquela encomenda embrulhada no jornal do açougue. Destarte, milhares de chefes de famílias vivem na mesma condição que eu vivia no passado, no entanto, hoje, não mais recebem pacote de osso no açougue, esse foi substituído pelo Bolsa Família.
Infelizmente, por medo de perder votos, todos os candidatos à presidência, não hesitam em afirmar que darão continuidade ao Bolsa Família. Isso ocorre por insegurança quanto ao resultado final das eleições. Por fim, no meu sentir, o candidato ideal a melhoria da qualidade de vida dos mais pobres afirmaria de forma segura: "o meu governo finalizará o Bolsa Família e a substituirá por um programa de emprego e renda". E a vida segue com suporte na esperança de que um dia possa haver "Igualdade de Oportunidade" a todos os brasileiros.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Opinião

Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. (Paulo Freire)
Uma grande rede de televisão não pode usar concessão pública para influenciar negativamente a educação de um país. Os comunicadores William Bonner e Patrícia Poeta, em rede nacional, deram um mau exemplo para a educação no Brasil pelas posturas que adotaram diante dos candidatos à presidência da República, neste mês de agosto de 2014.
Como educadores, devemos reagir para corrigi-los. Os renomados e conhecidos jornalistas estavam diante de pessoas que vem se preparando ao longo de anos de atividades públicas e políticas. São, portanto, detentores de um saber acumulado ao longo de suas trajetórias de vida. Os candidatos, mais do que os jornalistas, conhecem a fundo os problemas do país. Esforçam-se, a seu modo e a partir de suas agremiações políticas, a apresentar ideias e visões de mundo e de sociedade. Por certo, divergem nas soluções. Mas não mereciam e nem precisavam passar por esse “massacre jornalístico”.
O que os jornalistas fizeram foi uma espécie de “inquisição intencionada”. De dedo em riste, sem respeitar o tempo para as respostas, indagaram e afirmaram verdades já previamente concebidas. Em nome de que? Da informação? Do constrangimento? Do desrespeito às pessoas que se dispõem a discutir e enfrentar as soluções para este país? Em nome do prazer pela humilhação?
Imaginem comigo se algum professor ou professora deste país ainda adotasse estratégia semelhante, humilhando seus interlocutores (os alunos) para que estes lhes comprovassem algum saber. Em tempos que se massacra os professores por qualquer motivo ou razão, este professor ou professora seria repreendido e denunciado pela comunidade escolar ou sociedade. Seria duramente questionado e teria de se explicar.
Atitudes desrespeitosas, que promovem agressão e desrespeito para com os interlocutores, sempre serão maus exemplos. Podemos até ser ideologicamente contrários às opiniões e propostas dos outros, mas é injustificável que sejamos mal educados. A mídia tradicional, infelizmente, mostra todos os dias posturas como estas. Muitas pessoas, por ainda acreditarem cegamente na imprensa, acham estas atitudes corretas e as imitam.
Por fim, desejo afirmar que a educação, saúde e corrupção serão prioridades neste país quando a população, a partir de uma cidadania ativa, juntamente com as suas organizações e lideranças, prefeitos, vereadores, governadores dos estados, deputados e senadores tomarem a decisão de enfrentá-las. Simples assim. Cada um, com sua responsabilidade. Não acreditamos mais em salvadores da Pátria.
Depois da superação da fome e da miséria, da elevação de patamares de inclusão social, é tempo sim de fazer outras e novas mudanças. Mas não será com arrogância e prepotência que chegaremos lá. O Brasil fará estas mudanças, mas se fosse caminho fácil, já estaria feito! Nem tudo se resolve hoje, pois precisamos superar primeiro as nossas carências mais imediatas.
A educação, o respeito aos cidadãos e às autoridades e a democracia são os caminhos para o fortalecimento de relações verdadeiramente democráticas. O povo brasileiro sabe disso!
Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos. pies.neialberto@gmail.com

EcoDebate, 25/08/2014

Nossa opinião.

Bem, se a educação muda as pessoas e se pessoas mudam o mundo fica fácil entender a postura do William Bonner e da Patrícia Poeta. Ora, no meu sentir ambos devem ter boa formação escolar, bem como familiar. Assim entendemos: a boa educação recebida pelos apresentadores os conduziram àquela iniciativa mais contundente com relação aos candidatos. E talvez decorra dos exemplos corriqueiros de como não se deve fazer política. Todos sabem, ultimamente a imprensa (mídia) que tem o dever em mostrar as coisas boas e más da politica enfrenta tsunami de más notícias.

Essa cruel realidade impulsiona os apresentadores a pressionarem os presidenciáveis e, se esses não conseguem responder, significa que se eleitos também não conseguiram resolver. Ressalte-se, uma boa educação prepara as pessoas (apresentadores) a caminharem com as próprias pernas. Ao mesmo tempo devemos descartar aquele modelo de educação que conduz pessoas à submissão. Mais ou menos assim: se as perguntas fossem fáceis de responder, teria agradado os presidenciáveis?

Por fim, William e Patrícia devem ter recebido uma educação por 
excelência, ao ponto de não se curvarem diante daqueles que apreciariam doutriná-los. (jgh)